Adiantar uma "partilha em vida" pode ser vantajoso?

Algumas pessoas têm um "MEDO" em falar em PARTILHA EM VIDA... todas com medo da morte, achando até que isso traz "mau agouro"... na verdade é preciso saber (e elas já sabem, rs!) que para morrer basta estar vivo. O que parecem não estar muito preocupadas é com os problemas que podem estar deixando para herdeiros, podendo causar inclusive discórdias na família, além de uma onerosidade desnecessária e talvez um processo moroso de inventário judicial... e tudo bem também se não quiserem se preocupar com isso; mas para quem deseja SE PRECAVER, ou até mesmo conferir efetividade à sua vontade e vê-la, ainda em vida, sendo concretizada, pode sim ser possível e muito vantajoso realizar o PLANEJAMENTO SUCESSÓRIO, contando claro com orientação jurídica especializada.

Como sabemos, com o falecimento a herança (composta por débitos e créditos) passa para os herdeiros, devendo ser observada a Lei vigente ao tempo do fato gerador (morte). Diante da presente possibilidade de modificação da Lei assim como das tendências jurisprudenciais, pode ser interessante sim se antever a essas condicionantes e distribuir já em vida o patrimônio, poupando tempo e dinheiro.

Como esclarece a ilustre Professora e Advogada PRISCILA M.P. CORRÊA DA FONSECA (Manual do Planejamento Patrimonial das Relações Afetivas e Sucessórias. 2020),

Pode-se afirmar que o PLANEJAMENTO SUCESSÓRIO enseja sensível economia de TEMPO E DINHEIRO. É que o projeto de sucessão - consistente e adequadamente concebido - pode reduzir drasticamente o âmbito do litígio que habitualmente se instaura nos inventários judiciais, podendo propiciar, ainda, substancial REDUÇÃO DE CUSTOS e até mesmo significativa ECONOMIA FISCAL".

Importante, como se percebe, que a idealização do Planejamento seja feita por Especialista para justamente alcançar os verdadeiros objetivos dos interessados, reduzindo riscos:

TJSP. Proc. 2193181-68.2019.8.26.0000. J. em: 18/11/2019. Agravo de instrumento. Inventário. Objeto do recurso que diz respeito à legalidade do recebimento de VGBL por um dos herdeiros, em detrimento do espólio. Previdência privada contratada às vésperas do óbito do de cujus, à época do fato internado em unidade hospitalar por padecer de graves e diversas enfermidades, cujo único beneficiário era um dos herdeiros-filhos. PLANEJAMENTO SUCESSÓRIO com o fim de prejudicar os demais sucessores que não deve prevalecer. Metade do numerário que deve ser trazido à colação pelo beneficiário, tendo em vista que os outros 50% presumem-se pertencentes à companheira, em razão da cotitularidade da conta corrente. Decisão reformada. Recurso provido".